terça-feira, 15 de setembro de 2009

Verdade

Nos reveses da verdade nos defrontamos com a "nossa verdade". Verdade, consultando um dicionário, temos a definição "identidade de uma representação com a realidade representada; (...)/ O que é certo, verdadeiro: quer saber a verdade. (...)/ Boa-fé; sinceridade: falar com verdade".
Dar valor ao que nos é real, acreditar nela seria uma verdade? Se contradigo algo, isso deixa de ser verdade? Para Nietzsche a verdade não existe, então isso é uma verdade? Uma verdade da inverdade? Ou a negação também é uma verdade?
Nome bonito... "verdade". Até poderia ser nome de alguém, tipo Verdade da Silva Colto de Menezes. Então, atribuí a Verdade-pessoa um valor-nome, então de fato é uma verdade sobre Verdade? Se Verdade-pessoa existe pelo motivo que lhe atribuí um nome, então os "nomidados" são a realidade e, a partir daí uma verdade? Mas a Verdade-pessoa existe antes mesmo de lhe atribuir um rótulo, logo ela não passou a existir a partir desse fato. Pessoa, sem nome ou identidades seria a verdade daquele ser existente, talvez...
Mas... Quem atribuiu Pessoa ao ser? E o ser?
Atribuímos que o oceano nos parece azul, mas ele não o é. Pego em minhas mãos um pouco das águas que o forma e - surpresa! - é transparente. Algum poeta pode usar o termo num sentido fleumático e hipotético. Mas a verdade do mar é que não é azul, nem verde, nem negro, nem mediterrâneo... enfim, o mar é, na verdade, água salgada, bioma do planeta. Posso ir num ponto mais profundo dele, onde as águas parecem escuras, se trouxer à luz uma amostra, será transparente. Teria de juntar vários bocados de amostra para ele deixar de ser transprente e tornar-se turvo, mas, na sua verdade ele me dirá "sou transparente". Verdade dos oceanos...
Minha verdade seria sua verdade? Quer dizer, minha percepção de que o mar seja transparente corresponte a sua verdade sobre ele?
Então, Verdade da Silva Colto de Menezes tem sua verdade própria, é um ser pensante, com modos e filosofias pessoais de vida, crenças, valores... ou seja, possui SUAS verdades. Essa é a verdade de Verdade-pessoa. Logo, verdade pessoal seria o crer na coisa-em-si com seus parâmetros, sua real certeza de algo. Se essa certeza não existe, não é uma verdade. Seria por aí?
Longos caminhos a percorrer até chegar à verdade que gostaria de entender...
Parafraseando e juntando versículos bíblicos, em verdade, em verdade vos digo: quem souber a verdade, que atire a primeira pedra.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Melancolia

Com a melancolia, muitas poesias e obras magníficas foram criadas.
É no estado melancólico que temos nossas maiores inspirações, mesmo que inspirações intimistas demais, movidas por momentos particulares despertados por um lado emocional angustiante.
Talvez porque nos falte algo que não sabemos identificar o que seja e vestimos nossa carapuça da finitude...
Kiergaard, Dostoievski, Pascal... solitários na melancolia. A melancolia é um estado de pensamento subjetivo, o caminho da dor e do prazer.
Isso não é uma apologia à melancolia, mas ela nos tira do racionalismo e transporta para a esfera da sensibilidade, a imaginação, fomento da alma. É um estado "metafisico" de ser.
Kant via o estado melancólico como marca da sensibiliade de um gênio. Veja Goya, Baudelaire... Melancolia é a inquietude da alma e o ser humano é fundamentalmente melancólico.
Nietzsche não concordaria com essa teoria, pois para ele a criativiade é ligada à alegria e à vontade de viver e a melancolia seria o niilismo.
Porém, particularmente, em meus estados melancólicos, pinto mais e escrevo mais. Não são sofredores, são até de um certo prazer.
O bom é que são fugazes também. Melancolia constante já é outra esfera...

Pintura:
Munch, "Melancolia"

domingo, 23 de agosto de 2009

Filosofia e limitações pessoais

Nietzsche disse que, para entender seus escritos, seria necessário ter qualidades "bovinas", ou seja, a ruminação. Assim como seus escritos, também entender Kant, Sartre... Mas uns filósofos são fáceis de se entender, depois de uma boa ruminação, outros escrevem com palavreado rebuscado, temos, como leigos, porém amantes da Filosofa, ter um dicionário do lado para compreender melhor, senão acaba sendo como a leitura da Bíblia: cada um da a interpretação que entende.
Entendo a Filosofia como sendo liberdade, uma característica fundamental da existência humana. Mas que liberdade me refiro? Viver com plenitude seu projeto de vida, relegando o que a sociedade nos impõe, os convencionalismos. Daí o pensamento, nossa arma de liberdade no mundo, transcende qualquer conceito imposto, repetido e absorvido durante nossa formação.
Mas o entender filosófico me é limitado, falta base, falta até inteligência suficiente para ir além. Precisaria ser fomentadora da vida, sair do meu tempo e ser o juiz da vida que foi vivida.
Ou seja, preciso sair da caverna, deixar "as nuvens dos sonhos se dissiparem... aí será dia!" (esqueci a fonte desse pensamento, desculpem).

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Somos o que pensamos


"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo" (Buda)

Somos o que pensamos, os caminhos que fazemos de nossos pensamentos, o leme que conduz o navio até seu destino desejado.O processo do pensar é constante e ininterrupto. Até quando meditamos, a mente não descansa completamente, nem se pensarmos em uma folha em branco (processo que particularmente uso para início de uma meditação), a mente trabalha, pensa.Por isso enquadrei, desde muito tempo, que ler, devorar livros, é um descanso à mente, ela é guiada por pensamentos de outrem – veja bem: guiada, mas não comandada.
Enfim, por que essa abobrinha toda dessa introdução?Para dizer que, como disse Buda, “somos o que pensamos” ou ainda Pessoa "
Somos do tamanho de nossos sonhos"
.
Não precisamos ler livros de auto-ajuda, nem ir a Igrejas para moldar nosso pensamento e condutas, nem tampouco mergulhar na filosofia ou ir a Psiquiatras, Psicólogos, pais-de-santo... Se eu escolho pensar no bem, eu sinto o bem; se escolho pensar no que me angustia, será isso que sentirei; se pensar na morte da bezerra, vou com certeza apenas esperar o enterro da coitadinha...
Agora você pensa: DESCOBRIU O TESOURO, Ó! (claro, pensando ironicamente). Não estou dizendo nada de novo, não descobri coisa nenhuma, são frases e jargões por demais debatidos e tendo em cima deles, frases de efeito criadas e recriadas.Porém, esquecemo-nos disso com uma facilidade enorme.
Podemos tê-la como verdade e a percebemos cada vez com mais constância, como um exercício, um mantra pessoal. "Penso, logo existo".... Descartes estava certo.
Existamos!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Depois da chuva...


Madrugadinha... chocalho, misturado com canto do curió, bem-ti-vi, sabiá, rolinha... música que mais parece sinfonia de beira de estrada, cantada por violeiro saudoso. Silêncio? Só se for na tocaia, no meio do mato, onde as rapozas já se intocaram, os preás descansam e os morcegos dormem... demais, o istribilho da mata...
Caça pé no chão, num arrepio de não perder tempo, caça um par de calça velha, uma blusa jogada, caça o estilingue, a sacola, veste tudo avexada, caça pés no buxo, que ronca aperriado...
Vem lá de dentro um cheiro de café... fome de lascar... nem bom dia precisa, vou ver depois mesmo. É "bença, mãe, inu", depois ainda escuto o "pronturrai, menina?", mas se perde na batida da porta, num revestrez da minha carreira. Saio desimbestada pro meio do mato. Choveu à noite, o açude deve estar sangrando e preciso chegar e ainda ver a lama sendo carregada. No caminho, o cheiro do capim aguado, os carrapixos que aperreiam o juízo, mas é pé na bunda pra chegar no logo.
Eita! Cheiro de água correndo (isso! Cheiro de água! Virgi! Tem coisa melhor?), zuada de passarinho em festa, só penso no frexero que vou dar naquele mundão de água lamacenta, rio correndo a dar nos cós, ver os peixes graúdos que pulam querendo chegar no céu. Vou pegar curimatã no braço, se der na telha.
Quem impata minha carreira? Nem o cão atentando Jesus, sou mais rápida que jurubeba enquengada... arriba, que ninguém segura!
Chegando, o que só sei dizer é "eita, arretado!", ariada com tanta belezura. O céu limpo parece que lambe as águas barrentas, vou arrudiando a beirada, bem na sangria, molhando os pés sem alpercatas, as barras das calça cheia de espinho. Eu cego se em qualquer caixaprego desse mundão haja coisa mais linda de se ver! Istruimento de água que se vai corredor abaixo e fico matutando aonde vai dar.
Fico fazendo munganga até não querer mais, uns estibungue no meio do aguaçeiro,depois é ir junto com o sangradouro... Isso até a mundiça chegar, afinal o que é bonito e raro é pra ser apreciado mesmo, não? Depois é depois, que venha todo o povo do universo inteiro. É até bom ver tanta alegria por conta de água doce!
Mas aí já valeu minha carreira, tive meu momento só meu com o açude...
Ô, mundel de lembrança boa!

Crédito da imagem: Ivan Cabral

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Olhos dos outros em si...

"Se nos pudéssemos ver como os outros nos vêem,compreenderíamos até que ponto as aparências são enganosas."
(Franklin Jones)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Plano de saúde vitalício


Imagine um corredor de hospital lotado de pessoas para atendimento pelos SUS. Veja as expressões dos olhos dos que estão ali: or, preocupação... mas também muita resignação, aceitação. Calam-se e nem sabe de seus reais direitos e o que se passa dentre outros corredores daqueles que eles deram um cargo no senado federal.
Andemos um pouco mais na escala social: os planos de saúde lotando os tribunais de justiça, recusando-se a cobrir gastos que, enfim, seriam de direito de seus beneficiários ou então as letrinhas miúdas e não ditas na hora da venda não deixaram que soubessem o que havia por trás daquele emaranhado de papéis. Esses também será que desconhecem a quantas andam os planos de saúde de nossos senadores?
Aí chegamos no ponto da escala: os nossos senadores, muito sábios em formarem leis e decretos em benefício próprio, possuem um plano de saúde vitalício, sem quaisquer restrições a atendimentos ou doenças pré-existentes, cobertura para parentes e parentes de parentes, atendimento VIP, sem letrinhas miúdas ou filas de atendimento.
A base da pirâmide sustenta a cúpula de políticos que se fartam com aposentadorias bem remuneradas e a curto espaço de tempo e seus planos de saúde sem data de renovação, pagos pelos cofres públicos. E, pasmem, é necessário apenas seis meses como senador para ter direito a essas regalias!
É, vamos trabalhar mais de trinta anos, e com quase sessenta, nos aposentarmos e, com sorte pagarmos um plano de saúde, com toda sua "boa vontade". Pior, sabendo que o plano e a aposentadoria têm proporção inversa de crescimento...
Haja resignação!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Teia Blues


Braços vazios em sonho inexistente
Abraçar o nada, a mente vagando o mundo
O mundo preso numa cela quente
que imita a forma do próprio ser fecundo
esférica, circular, achatada, quadrada
ou anda em círculos ou percorre uma reta
reta sem fim, trilho de trem sem parada
Braços vazios e mente torta, estrada incerta
Encaixa, mente, no mundo que te rodeia!
Enche-te, braços, não obedece à mente sem laços
Emoções perdidas, presas em uma teia
triste martírio de dias sem calorosos abraços
que braços esses que se estendem caídos
pesados, mortos, sem amarras a segurar?
Soltos, moles, quase duros, esquecidos?
Que emoções doar, que sentimentos confiar?
Acabaram-se as ilusões, é tempo de colheita
lançar mão de histórias que andam a vagar
mas que nem de longe preenchem os braços
Quanto carinho, quanto amor, quanta emoção!
Quanta coisa cúmplice pra traçar!
Venham, sonhos, voltem, nada é em vão...
Que a caixa do mundo se ilumine
Não se cale, voz de longe, semente-paixão
Que o céu da boca nunca termine
Olhos, assim como braços, ainda te alcançarão.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Instantes" - Jorge Luis Borges?

Aqui, o poema de Jorge Luis Borges, "Instantes", que existe polêmica sobre sua autoria, se dele, de Nadine Stair ou Betty Vidigal.

Prefiro crer que seja de Borges, e assim o atribuo sempre.

Ver discussão sobre esse tema: http://www.revista.agulha.nom.br/autoria.html


"Se eu pudesse viver novamente a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido;
na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos
viajaria mais,
contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvete e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua vida.
Claro que tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver,
trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida:
só de momentos - não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma
sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda-chuva e um pára-quedas;
se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos
e sei que estou morrendo."

sábado, 25 de abril de 2009

Momento de insatisfação...

Não conheço o outono. As folhas secas, amarelas, marrons, cinza, o tapete delas no chão que quebram-se a seus passos..., como é sentir o clima dessa estação, que traços e sensações trará, que não as que vejo em fotografias e apenas imagino?
Não voei de asa delta. Como seria sentir-se como um pássaro, com asas próprias, levada pelo vento, o silêncio quebrado pelo zumbido de estar lá em cima, sobrevoar o mar, a terra, a praia...
Não realizei todas as minhas fantasias. Ou foram demasiadas para minha pouca experiência, ou então tolas demais para que as pusesse em prática em seu tempo devido...
Não disse a meu pai que o amava, que seus olhos eram tristes, que tivesse ânimo na vida. Não lhe dei forças e hoje o faço para tantas pessoas...
Não decorei muitos poemas. Que bom seria uma inteligência capaz de guardar as palavras alheias, repletas de beleza e significados, já que não nasci com a veia poética...
Não tive todos os amores que quis, tive os que mereci. Mas amar demasiado leva a dureza de sentimentos. Preservar o romantismo carente de que não vivi o verdadeiro e grande amor é melhor que isso, talvez...
Não escrevi um livro, não tive filhos, mas plantei uma árvore. Claro, hoje apenas um cajueiro de um metro e meio, mas uma árvore que crescerá e dará frutos.
Não dancei o quanto gostaria. A dança, assim como a poesia, são expressões que a genética me negou.
Nunca andei de patinete, patins, não conheço cidades, não viajei, não saí do país, nunca consegui finalizar uma obra de Proust, nunca fiz uma cirurgia, nem canal do dente, nunca fui a um motel, não andei de bote numa correnteza...

Quanta coisa por viver e sei que nem chegarei a isso um dia! A lista é grande, os desejos também, mas contento-me com aquela velha e boa frase que ouvimos e dizemos para consolar um desatento: "é a vida, não se tem tudo o que quer..". É por aí...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Quando criança...


"Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão..."
(Humberto Gessinger)

Quando criança, disseram-me que, quando morresse, iria pro céu, pro inferno ou ficaria de molho numa ante-sala chamada purgatório. Temia esse último, nem tanto o inferno, como também sabia que não iria pro céu, porque aí só sendo santa. Então, desde criança nunca fui santa.
Ainda criança me ensinaram que, ao passar pela frente da Igreja, devia benzer-se, fazendo o sinal da cruz de frente ao corpo. Então, quando esquecia de fazê-lo, pensava em voltar e fazer duas vezes: uma pelo esquecimento e outra por ter passado outra vez. Mas os esquecimentos foram aumentando... hoje nem percebo as Igrejas. Mas são tantas e com tantos outros nomes! Quando era criança, entendia que só havia uma Igreja na cidade, aquela construção enorme, imponente e bonita, em pleno centro e rodeada de casas.
Quando criança, as coisas "erradas" eram cochichadas pelos adultos, mas sempre acabava descobrindo do que se tratava, mesmo sem entender direito. Hoje, as coisas são ditas a bravatas, escancaradas as situações na minha frente e nem me dou conta...
Quando criança, se um pedinte viesse com a mão estendida, esperando uma moeda, se não tinha, dizia-se "perdoe". Não entendo por que motivo continuo com esse hábito...
Ah, mas quando era criança, diziam que fazer "aquilo" era feio, pecado... Perguntava-me por que motivo os adultos faziam então. Hoje eu sei.
Ainda em minha criancice, na minha criação, não se dizia "eu te amo". Era perda de tempo, não era coisa pra se dizer, muito menos a uma criança, nem dar um abraço, um afago, um dengo... Hoje é tão fácil fazê-lo e dizê-lo, bom sentir que, quando dito e feito em verdade, faz-nos bem.
Quando criança, queria crescer logo pra ganhar o mundo, fugir, qualquer coisa fenomenal que adultos podem fazer. Cresci e nem fiz nada de tão estupendo.
Quando era criança, as brigas eram coisas corriqueiras, de casais. Hoje não suporto um levantar de voz.
Quando criança, achava Tony Ramos o homem mais bonito que havia na face da terra, seguido por Ronnie Von. Hoje adoro o charme de Lima Duarte.
Quando criança, queria um velocípede. Era o brinquedo dos meus sonhos. Hoje nem tenho sonhos de consumo...
Quando criança, não sabia o que queria ser quando crescesse. Cresci, continuo sem saber o que vou ser quando adulta.
Quem disse que saí da infância? Apenas algumas percepções mudaram, a essência continua, mais crua, real, mas a mesma. Viva as mudanças!
video

sábado, 11 de abril de 2009

A arte pela arte

No monumental o mundo artístico, então aqui me aterei apenas à pintura como forma de expressão.
A arte não-representativa, conceitual, impera no mundo artístico, onde a invariante do academicismo é rotulado de "romantismo", "realismo", "retratismo". Ater-se ao mundo representativo, onde as imagens, como paisagens e construções figurativas detalhadas é um campo estéril, é resumir a arte a um ponto meramente do conceitualismo, onde ver o rótulo ou título da obra vai dar o verdadeiro significado à obra.
"O que é bonito aos olhos" é um dos títulos dados a criações representativas, que fogem do sentido conceitual da arte moderna. Se foge do conceito sentimento e retrata apenas o que é visto, sem emoções, o que dizer de Van Gogh? Não há sentimento em demasia em suas telas? Pode-se dizer que são obras representativas, mas vivas e emotivas, assim como Claude Monet, Edgar Degas, Ingres, Paul Gaugan, ... E Renoir? Podem se enquadrar em impressionistas, pós-impressionistas, mas representativos, academicistas, senhores das formas e dos desenhos.
O abstracionismo, o dadaísmo, cubismo, modernismo, tantas outras correntes que hoje diz-se vanguarda da arte, fico com a magnanimidade do academicismo, do romantismo, o que não pode ser enquadrado como imitação. É arte, como todas as que citei os são. Vale a intenção artística, criar pela paixão ao artístico, sem mais enquadramentos.
Sou uma autodidata na pintura, leiga, apenas apaixonada pelo tema. Não quero aqui impor opiniões ou criticar, creio que pretendo mais defender o lado laico da arte, o fazer por si, apenas sendo arte pela arte. Se for balizar pelas críticas, porei tintas primárias sobrepostas, intitularei a tela como "o eu transcendente do imaginário coletivo" e será que, sem ver o título eles ligariam a tão intrincado e sem sentido conjunção de palavras. Reducionismo às palavras, não ao visual.
Mas, enfim, toda criação tem a liberdade de interpretação de quem a vê, seja qual for. Quem vê e quem cria são mentes diversas, com sentimentos diversos. Dificilmente um captará o que realmente o criador quis dizer, ou nem quis dizer.
Posso até ter errado em conceitos, enquadramentos, mas me considero uma autoditada
O que trago comigo é a paixão pelas tintas, telas e pincéis. Só.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Solidão que nada

. . .

"...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo"

(Clarice Lispector)

. . .

Assim me fiz: plena e feliz com a solidão. Teimam em dizer "solidão atroz", "solidão que me mata", "terrível solidão"... Por que a solidão me é tão bem-vinda, cai-me tão bem como se fosse uma roupa feita sob medida por mãos hábeis de uma profissonal?

Os momentos mais angustiantes comigo mesma é quando não posso ter ao menos horas sozinha, ou estar apenas em minha toca, com "meus discos, meus livros e nada mais", como diz Zé Rodrix e Tavito.

Penso, analisando esse prazer incomum: isso deve-se ao fato de ter a liberdade de ouvir música o tempo todo? Não, há momentos que adoro o silêncio! Acordar de madrugada e ler, sem pensar que o barulho das páginas vai incomodar? Não, posso ler em outro lugar! Já me acostumei tanto comigo mesma que não sinto solidão? É fobia social? É a sensação de liberdade que me dá, quando estou só e construo minha rotina pessoal? Necessito de um analista para sentir a solidão como algo ruim ou pelo menos sentir solidão?

Aliás, o que é solidão? "Estado de quem se acha e vive só". Ou seja, se acha E vive só. Vivo só, mas não me acho só. Meu estado é de solidão sem solidão, posso pensar assim. Confuso? Também acho.

Mas como sentir solidão quando há tanto pra se fazer, pensar, agir? Se eu me basto, como sentir essa tão falada solidão?

Lembro Cazuza, quando ele diz "viver é bom, nas curvas da estrada. Solidão, que nada! Viver é bom, partida e chegada. Solidão, que nada!"

Sei lá o que há na próxima esquina, se a morte nessa esquina vai me beijar (isso é Raul Seixas, demais!). Pode ser que venha a sentir e me achar só, mas só sei do hoje, do agora, do momento que escrevo, desse que você lê. Então, que venha qualquer sentimento, não terei medo de enfrentá-lo.

Por enquanto, digo apenas "viva minha solidão que não é solidão".

terça-feira, 24 de março de 2009

Simples assim... adeus

Deparamo-nos com toda espécie de pessoas nessa nossa vida.
Construímos sentimentos os mais diversos, apegamo-nos, partilhamos pensamentos e momentos. Somos conquistadas e conquistamos.
Porém, nas relações humanas, um lado deseja ser sempre o compreendido, dificilmente compreende o outro. As necessidades são diferentes, as expectativas, os sonhos, anseios, cada um tem sua própria maneira de se fazer querer.
Pior quando se tem um excesso de sensibilidade, pois as particularidades de gestos e atitudes são sentidos mais fortemente que as palavras ou a ausência delas.
Então vem o adeus, hora de dizer que fez parte da história e não faz mais. Vem a lacuna, um período negro, onde a mente recusa esse adeus e a razão o impõe.
Temos, primeiramente, de sermos conscientes daquilo que nos faz bem ou não. Se alguma situação ou relação é carregada de expectativas e ansiedades, algo de errado existe. Sempre conseguimos enxergar o erro. Admiti-lo é o problema. Então, prefiro ir pela razão. Sofrer por um período que chamo de "quarentena", depois retomar meu rumo.
Nossa lembrança é a pior inimiga. Mas, com a razão prevalecendo, fazendo-nos ver que aquele caminho só nos trazia sentimentos e situações falsos, melhor segui-la. A razão nos guia pelo caminho certo.
Nossa! Como percebemos que existem seres cruéis, incapazes de retribuir um adeus sem um simples sorriso ou até um leve aceno de mão! Esses são os perdidos, os que não valorizam o sentimento alheio, os que devem ser evitados e tratados sempre pela razão, nunca pela emoção. São os que chamo de verdadeiros egoístas, no exato sentido da palavra. Os rancorosos, que julgam seu sentimento e feridas maiores que os dos outros.
Como seria maravilhoso se víssemos as pessoas tal qual elas são logo de cara, assim, num bater de olhos. Quanto sofrimento seria evitado!
Mas a vida é assim: quedas e ensinamentos. Ainda bem que sempre nos reerguemos e sempre mais audazes e corajosas.
Então que venham essas pessoas, e outras e mais outras, pois elas nos farão mais fortes!

terça-feira, 17 de março de 2009

Um dia... Mário Quintana

BILHETE - Mário Quintana

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Sonho de consumo

Tenho um sonho de consumo: possuir uma biblioteca repleta de livros, do chão ao teto, todos catalogados, edições antigas, raras, publicações novas... tudo encontrar. Platão, Voltaire? Tem. Fernando Sabido? Tem. Machado de Assis? Impossível não ter! Todos! Saramago, Dostoievski, Dephoe, Edgar Alan Poe, Steinbeck, Bucowski, Austen, Gabriel Garcia Marques, Hesse, Musset,Pessoa, Quintana, Lispector, Diderot, Quevedo, Darwin, Spinoza, Veríssimo, Tolstoi, Ariano Suassuna, José Lins do Rego... todos os autores, pelo menos um exemplar de cada escritor que já tenha publicado algo, catalogados e organizados.
Essa biblioteca teria uma iluminação natural, teto com parte de vidro, janelas grandes e altas, que abrissem para um jardim onde tivessem muitos pássaros, como um viveiro natural de passarinhos livres. Árvores, muitas árvores, arbustos e apenas o som da mata. Sem barulhos humanos e citadinos.
De mobiliário, apenas uma poltrona reclinável, uma luminária de direção atrás dela, uma mesinha baixa de centro apenas para aparar objetos ocasionais e não fixos... Ah! Um lugar onde armar uma rede! Isso seria imprescindível! Também um equipamento de som, CDs com minhas músicas preferidas, três almofadas no chão, sobre um tapete fofo...
Só....
Sonho de consumo maior que esse: ler TODOS os livros do mundo.
É, não custa sonhar...

domingo, 15 de março de 2009

"Saudade"

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

(Pablo Neruda)

sábado, 14 de março de 2009

Momentos de carência

Há momentos que nos sentimos tão sozinhas, tão vazias, que a angústias advindas dessas percepções são inevitáveis.
Vivemos uma relação boa, quase perfeita (se é que isso existe), sem discussões, brigas e essa relação acaba bruscamente. Disso, nasce um trauma e uma crença que todos os homens criam máscaras, que a verdade, a franqueza e a sinceridade não são quesitos dos m
achos.
Sei que é um pensamento errado. Deve haver, em algum canto desse mundão alguém que saiba o valor de se dizer a verdade sempre, mesmo que dolorida.
Traumas.
Como dar vazão ao romantismo, às necessidades normais de uma mulher também normal? Acreditar é difícil, até porque os que conheci depois da separação, não se mostraram diferentes do que convivi.
Então, o que faço daquela necessidade de dividir músicas, conversar deitados no tapete, ouvindo algum CD recém-comprado, trocando impressões, segurar firme a mão, olhar demoradamente os olhos do outro, sem nada falar, memorizar poesias que te emocionam, apenas po
rque lembra a pessoa, rir sozinha das palhaçadas bobas, cumplicidade criada a dois, ter alguém que respeite tua necessidades de estar sós às vezes, apenas com teus livros e tintas, dançar na chuva, dançar na sala, feito crianças, brincadeiras próprias, fazer-se bonita e saber-se assim apenas pelo olhar do outro, surpreender, momentos íntimos a dois... Dividir a cozinha, os afazeres, ouvir como foi o dia, sentir quando está triste ou alegre... bilheitinho achados escondidos no fundo da bolsa, ô coisa boa.... mas esquecida.
O que fazer dessa falta?
Não falo em atrelar seu bem-estar a outro, depender de outro para sentir-se bem. Isso tem de haver sem ter ninguém, é obrigação nossa. Temos de nos bastar a nós mesmas primeiro, para estarmos preparadas para qualquer relação. Não somos donos de ninguém, assim como não temos donos. Cada um tem seus mistérios, seus segredos e seus pensamentos, seus próprios amigos, não querer dividir tudo, como se fossem um só.
Pode ser utópico, mas é real. Interessante que, quando me sinto preparada para enfrentar um relacionamento maduro, não consigo mais...
Assim, apenas me apaixono, vivo o momento da paixão, aquela sensação mágica, idílica, dionisíaca, depois deixo ir, como uma folha levada pelo vento, para outras paragens, outras paisagens...
Não crio mais expectativas, ânsias, perguntas bobas, venho e vou e nem me dou conta disso. Frieza? Não, é que foi "eterno enquanto durou".
Sentir falta das coisas que falei, sentirei nos momentos mais sensíveis que possuo, mas também tem o fato que basto a mim mesma, sou feliz como minha realidade atual, de liberdade e independência.
Mulher, so sentido da palavra, que pensa, ri, (des)constrói, sente carência, observa, analisa, cria... coisas que apenas quem entende o sentido da liberdade saberá.
Só a vida dirá o que me reserva.

quinta-feira, 12 de março de 2009

O silêncio e o ouvir

Ouça! Ouça o silêncio. Não é incômodo, apenas é cortado pelos próprios pensamentos, controláveis. Por que as pessoas sentem a necessidade de falar alto, de colocar o tom da voz acima do que escuta, ferindo os ouvidos e rasgando a garganta? Por que a necessidade de falar, falar e falar? Se não fala, é enquadrado como "esquisito", "fechado", "introspectivo"... Melhor calar a falar bobagens, sempre procurar algo para dizer e não ouvir o que é dito. Se observar uma conversa entre duas pessoas, num determinado tema pessoal, quando um dos interlocutores conta de algo seu, logo o outro busca um exemplo próprio para complementar, não comenta ou estende o que foi ouvido. Egoísmo? Incapacidade de ouvir, de calar? Não sou psicanalista, socióloga ou nada do tipo. Não enquadro, apenas faço essas leituras leigas. Está pensando no que eu escrevi, ou está pensando em algo pessoal seu para rebater ou complementar? Pense!

terça-feira, 10 de março de 2009

O SILÊNCIO

Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher?


Detesto modismos, invenções, padrões, pensamentos carimbados, lições decoradas, medos infundados, datas criadas, comemorações sem motivos...
Detesto.
Detesto o dia internacional do mulher, assim como detesto natais, anos novos, carnavais, coelhinhos da páscoa, dia da criança, dia pra isso, dia praquilo. Tudo se inventa, tudo se enquadra, deturpa-se, engana-se, ganaceia-se. Cria-se um dia para comemorar o que nem deveria ter um dia, deveria ter todos os dias, apenas para fins mercadológicos.
No dia internacional da mulher, vende-se rosas, manda-se mensagens de louvor às mulheres, quiçá não fossem todos os dias dia das mulheres (e dos homens também). Festejam as floriculturas, distribuição de chocolates para as mulheres nas filas dos bancos... viva! viva! viva!
Logo será hora de comprar chocolates em forma de ovo, abarrotam-se os supermercados com aquelas formas ovais acima de nossas cabeças, crianças desenvolvendo o senso do "ganhar"...
Por que não emendam o dia internacional da mulher com o ovo de páscoa? Bem a propósito, homenagem às barrigas que crescem e deixam suas estrias de lembrança e mais um ser vivente-sofrente para o mundo...
Detesto detestar algo. Mas detesto. Até a palavra é detestável.
Estou de mau humor? Não! Ora, é dia internacional da mulher... estou na TPM...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Algemas da ansiedade

A ansiedade nos escraviza, faz-nos perder preciosos momentos de nossos dias, prisioneiros de nós mesmos, dá-nos pensamentos extravagantes sem propósitos, tira-nos da realidade...
A ansiedade nos mata aos poucos.
Sinto-me ansiosa geralmente ao final do dia, depois do trabalho, quando chego em casa, quando quero fazer mil coisas ao mesmo tempo e não consigo fazer nada.
Ela pode nos trazer angústia, euforia, algemas que nos poda...
Cada um tem sua fonte de ansiedade. Para combatê-la, tem-se de analisar sua fonte. Uma preocupação, um
projeto inacabado, uma viagem a fazer, uma fofoca ouvida à boca pequena, um encontro com alguém, uma desconfiança de outrem (parceiros ou amigos), mudanças inesperadas, doenças...
Sentirmos os ombros
doloridos, tensos, às vezes taquicardia, pensamentos que se atropelam... Se pararmos e pensarmos que a ansiedade nada resolverá essa questões,um alívio imediato já se sente.
Por mais difícil que seja parar e se trabalhar nesse processo, nesse estado nada melhor que deitar, colocar uma música suave, prestar atenção na respiração (existem exercícios
respiratórios próprios para isso), relaxar por, no mínimo meia hora ou até sentir-se mais centrado, mais calmo.
Pensemos que o que importa é a tranquilidade de cada momento vivido, que nossa mente somos nós mesmo que a controlamos.
Rir também é um
ótimo exercício para combater a ansiedade. Porém, nada de histeria, apenas rir, rir até de nós mesmos, das situações que nos prende a esse mal.
Nada de atacar um chocolate, uma guloseima, uma massa cheirosa. Isso apenas aumentará a ansiedade. Pior! Depois virá a culpa.
Temos de conhecer nossas ansiedades, suas manifestações em nosso corpo e combatê-las, uma a uma. Difícil? Sim! Mas se fosse fácil, que graça teria?

quinta-feira, 5 de março de 2009

video

Homens...


Observando o comportamento masculino nesse meu período "solteira", percebi que os homens evitam mulheres que têm uma personalidade própria, definida, pensamentos reais, presença de espírito marcante, liderança, sagacidade, senso de observação, respostas rápidas, inteligência, cultura, independência, liberdade.
Não que tenha tudo isso. Mas APARENTO ter, pela forma com que me comporto. Creio que seja uma forma de auto-defesa, uma capa para encobrir minha insegurança e tantas coisas que não entendo no mundo que me rodeia. Essa "capa" me mantém sã capaz de colocar o nariz fora de minha toca.
Voltando aos homens, creio que ainda vivemos num mundo onde o masculino tem de ser o mais forte, o que tem de ser cuidado, o provedor da casa, o que tem as rédeas nas mãos.
Somos seres frágeis? Não creio. Tornamo-nos frágeis pela própria sensibilidade feminina que nos impõe carências desnecessárias e pensamentos de companhia masculina obrigatória.
Quem, em um estado de solteirice como eu não escuta de familiares e amigos "está namorando?", "quem era aquele que conversou com você em tal hora? Huummm!"... Ou então, por ser a separada no trabalho, tendo um colega solteiro também, ouve insinuações que deveria tentar algo com ele... Isso não apenas irrita, como também nos coloca as grades da cobrança e prisão que necessitamos de alguém, um HOMEM
Relacionamentos estáveis e satisfatórios existem?

Não se engane, quando vê uma amiga sua que parece feliz em um casamento que só falta ter um anúncio de imobiliária ao fundo, com cercas brancas e moleques correndo atrás de cachorros e você pensa "como tem sorte!", nunca é o que parece ser, infelizmente... Todos temos insatisfações. Até aqueles que mais te parecem felizes.
Isso porque todos nós sempre estamos em busca de algo mais, nunca estamos plenamente satisfeitos com o que temos. Quem dirá do companheiro do lado!
Mas que isso não desanime que talvez exista alguém que te complete. Que escute as músicas que você gosta, que te faça rir até sair lágrimas dos olhos, que te surpreenda, que saiba acalentar e não apenas ser acalentado, que saiba conhecer tuas reações pelo olhar, não diga "eu te amo", mas mostre que ama....
Ái, ái (suspiro) Bom sonhar!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Eu e o cigarro

Fumo faz alguns anos.
Comecei acompanhando o ex-marido, em conversas boas na varanda do apartamento. "Dá um trago...". Como fumante quer sempre a companhia de outro fumante, logo ele me dizia "pega um pra você". Fui nessa.
Na realidade, uma conversa embalada pela fumaça de um cigarro realmente prazeiroso. Porém, logo estava comprando uma carteira e fumando sozinha, depois não conseguia mais ficar sem uma de reserva. Sempre uma desculpa, como "estou tensa", "estou alegre", "estou precisando"... Enfim, hoje me reconheço fumante. Não que goste, detesto o cheiro do cigarro nos cabelos, na casa, nas mãos. Mas é uma condição difícil de deixar.
Depois veio a separação, desculpa que precisava daquela fumacinha no pulmão, entre outras tantas que me dei e dou.
Reconheço que não gostei da "fotografia" de meus pulmões na última bateria de exames que fiz, mas não consegui largar esse fumo enrolado em papel branco, continuo enriquecendo as indústrias de tabaco.
Penso em deixar... Mas é tão bom! É minha companhia...
Ora, Rubem Alves fuma , porque não posso fumar?
E lá vou eu com mais desculpas...

Franqueza

Hoje, 04 de março de 2009, às 20:21 h, inicio o Blog, imaginando apenas em postar pensamentos diários, de forma anônima, escondida pelo pseudônimo ENTA, sem fotos, sem identificações reais.
De real aqui os pensamentos diários (ou quase), minha identidade gravada no perfil, uma mulher de quarenta anos de idade, nordestina, divorciada, com idéias e princípios fortes e presentes, estável financeiramente falando, apaixonada pela leitura, música, artes, Filosofia, o ser humano, encrustrada de nóias, vivendo, aprendendo, errando e acertando, rindo muito, chorando também, sempre procurando, procurando, procurando...

Aqui deixarei um diário vivo, algo para deixar "pos mortem", apesar de ninguém saber minha identidade e minha morte real. Quam sabe, quando parar de escrever, tenha sido meu fim na terra?

Pode ser que ninguém venha a ler os escritos, menos mal, assim não me sentirei observada por olhos alheios, mas enquanto houver vida na net, creio qua aqui chegarão visitantes, tal qual os passarinhos que chamamos com um bebedouro com água doce: demoram a descobrir o caminho, mas quando o descobrem, sempre voltam.

Bonus quilibet praesumitur e que me compreendam.